Teoria do nao objeto
Para entender a "Teoria do Não-Objeto" de Ferreira Gullar, é crucial focar nos conceitos centrais que ele explora e como eles se relacionam com a história da arte.
O autor utiliza termos específicos com significados teóricos que diferem de suas definições comuns:
Não-Objeto: Um tipo de "objeto especial" que alcança uma síntese entre o sensorial e o mental. Ele é descrito como um "corpo transparente ao conhecimento fenomenológico" e uma "pura aparência". O não-objeto não representa nada do mundo real; sua significação é imanente à sua própria forma, sendo uma "presentação" e não uma "representação"
Objeto (comum): Na teoria de Gullar, o objeto comum é uma "coisa material" que se esgota em seu uso e sentido cotidianos, como um sapato ou uma pera. Ele é "opaco" e "impenetrável" à percepção, a menos que seja apreendido por seu nome ou uso.
Quase-Objeto: Refere-se a um objeto representado em uma obra de arte, como em uma natureza morta. O quase-objeto é um "objeto fictício" que se desprende da condição de objeto real, mas não atinge o estado de não-objeto.
O texto de Gullar argumenta que a arte moderna passou por um processo de evolução que culminou na necessidade do não-objeto. O autor traça essa jornada:
Do Figurativo ao Abstrato: O movimento começou com o Impressionismo, onde o objeto começou a se dissolver em manchas de cor.
Com o Cubismo, o objeto foi "brutalmente arrancado de sua condição natural" e transformado em formas ideais. Artistas como Mondrian e Malevitch levaram a eliminação do objeto ao limite, limpando a tela de qualquer vestígio figurativo.
Embora Mondrian e Malevitch tenham eliminado o objeto, Gullar afirma que suas obras ainda operam no plano da representação, permanecendo confinados pelos limites da tela.
O não-objeto surge como a resposta a esse impasse. Ele se liberta da moldura e da base para se inserir diretamente no
espaço real. A obra se torna um "trabalhar e um refundar desse espaço". O não-objeto não representa nada, apenas se apresenta, convidando o espectador a interagir e, com sua ação, atualizar a obra, que antes existia apenas "em potência". Para Gullar, isso mostra que a pintura e a escultura atuais convergem para um "ponto comum", tornando-se objetos especiais que rejeitam as noções acadêmicas de gênero artístico
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